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Destaques

Aprendi a consertar pneu furado de bicicleta sem remendo. Vou contar minha pedalada Iouca.

Eu não estava preparado para aquele dia. O sol esmagava o asfalto como se estivesse testando os limites da minha paciência. O caminho de terra batida, que levava à casa da minha avó, parecia uma eternidade em duas rodas. E então, claro, aconteceu: um estalo seco, seguido do silêncio implacável do meu pneu traseiro murchando. Era um daqueles momentos em que você sente o peso do mundo nas costas, ou melhor, o peso de uma bicicleta com um pneu furado no meio do nada. Mas desistir nunca foi meu forte. A busca por uma solução absurda Eu não tinha remendo, e a borracharia mais próxima estava a quilômetros dali. O que fazer? Sentar no meio da estrada e esperar um milagre? Não sou muito fã desse método. Lembrei de uma conversa aleatória com meu tio, que uma vez disse: “Se você não tem o que precisa, use o que tem.” Olhei em volta. Terra, folhas secas, um cadarço desfiado, e meu senso de humor começando a falhar. Foi então que uma ideia lunática surgiu. O experimento (ou como ...

Minha Vida Financeira Mudou Li o livro: "Os segredos da mente milionária" de T. Harv Eker.

A primeira vez que toquei na capa daquele livro, senti o peso de todas as minhas dívidas nos dedos. Lembro-me até neste momento quando eu tava em casa liguei meu Kindle e comecei passando as primeiras páginas com desconfiança. Quem nunca ouviu promessas de enriquecimento rápido que só enriquecem quem vende a fórmula, não é mesmo? Eu já estava de saco cheio dessas besteiras que rolam pela internet sobre ficar milionário de um dia para o outro, os canais do YouTube estão cheios de cara que não é milionário ensinando a ser milionário. Mas aí comecei uma nova jornada que era de terminar a leitura desse livro.

Tinha 38 anos, meu nome estava sujo na praça e minha conta bancária parecia um deserto árido onde os sonhos morriam de sede. Cada notificação de débito me causava uma pontada no estômago, como se alguém torcesse minhas entranhas com mãos geladas.

Não esperava que um livro pudesse redesenhar os mapas neurais que eu carregava sobre dinheiro. Mas aconteceu. E caiu minha ficha de vez que eu precisava fazer alguma coisa comigo mesmo.

A descoberta do meu "modelo de dinheiro"

"Seu modelo de dinheiro determinará sua vida financeira." Esta frase de Eker ecoou na minha mente como um sino em uma catedral vazia. De repente, as vozes do meu pai dizendo "dinheiro não cresce em árvores" e da minha mãe afirmando que "ricos são gananciosos" fizeram sentido como peças de um quebra-cabeça traiçoeiro.

Minha infância na periferia da minha cidade tinha gravado em mim a crença de que dinheiro era escasso e que pessoas honestas raramente enriqueciam. Carregava essas ideias como quem carrega uma mochila de pedras ladeira acima – sem questionar o peso, apenas aceitando a dor como natural.

Uma tarde de domingo, sentado na varanda enquanto a chuva fina pintava de cinza a paisagem da cidade, tive uma epifania lendo sobre as "declarações de riqueza" propostas por Eker. Meu corpo inteiro resistia a repetir "Eu tenho uma mente milionária". A garganta fechava como se estivesse engolindo uma mentira amarga.

Foi nesse momento que percebi: meu cérebro estava programado para sabotar qualquer possibilidade de abundância. Eu tinha que entender isso ou seria tarde para mim.

Separar 10% do que ganhava? Impossível, ou não.

"Pague a si mesmo primeiro" parecia um conselho ridículo para quem mal conseguia pagar as contas essenciais. Como separar 10% quando faltavam 20% para cobrir o básico?

Lembro-me de estar no mercado, olhando para duas marcas de arroz – a que sempre comprava e uma mais barata. Minha mão tremeu levemente ao optar pela economia. Não era apenas uma escolha de compra, era o primeiro passo para desafiar meu sistema de crenças.

No primeiro mês, economizei R$ 37,42. Parecia tão pouco que quase desisti. Guardei aquelas moedas em um pote de vidro que antes abrigava azeitonas. O barulho metálico das moedas batendo no vidro tinha algo de reconfortante, como se cada centavo fosse uma pequena vitória contra meu passado.

Três meses depois, tinha R$ 423,18 guardados. Era a primeira vez em anos que possuía alguma reserva. A sensação não era de riqueza, mas de um alívio quase físico – como quem finalmente consegue respirar após emergir de um mergulho profundo demais.

A coragem de ganhar mais

"Os pobres trabalham duro pelo dinheiro. Os ricos fazem o dinheiro trabalhar duro para eles." Esta frase me incomodou por semanas. Durante anos, meu único modelo para ganhar dinheiro era trabalhar mais horas.

Numa tarde quente de fevereiro, enquanto organizava arquivos no pequeno escritório onde trabalhava como assistente administrativo, percebi que tinha uma habilidade que nunca havia monetizado: minha facilidade com planilhas e organização de dados.

Com o coração batendo como um tambor descompassado e a boca seca de nervosismo, ofereci para meu chefe um sistema de organização financeira que havia criado para mim mesmo. Ele olhou desconfiado, mas aceitou ver. Três dias depois, recebi um bônus e a proposta para implementar o sistema para dois clientes.

O suor frio que escorreu por minhas costas quando fiz meu primeiro orçamento como consultor foi real. Cobrar pelo meu conhecimento parecia um ato de arrogância imperdoável. A voz da minha avó sussurrava em meu ouvido: "Quem você pensa que é?"

Mas cobrei. E fui pago. E contratado novamente.

Administrar o dinheiro: da aversão ao prazer

"Ou você controla o dinheiro, ou ele controlará você." Durante anos, verificar meu saldo bancário era como olhar para um acidente de carro – algo terrível, mas impossível de desviar o olhar.

Criei uma planilha simples, inspirada pelos ensinamentos de Eker sobre gerenciar ativamente as finanças. Os primeiros meses foram dolorosos – como tirar um curativo lentamente, revelando uma ferida que ainda não cicatrizou completamente.

A descoberta mais chocante foi perceber que gastava quase R$ 300 por mês em pequenas compras "insignificantes" – um café aqui, um lanche ali, uma revista acolá. Cortar esses gastos foi como abandonar um vício – nos primeiros dias, minhas mãos coçavam para pegar a carteira para pequenas indulgências.

Seis meses depois da leitura do livro, tinha uma reserva de emergência que cobriria três meses de despesas básicas. A sensação não era de riqueza, mas de uma nova forma de segurança – como ter um paraquedas em queda livre.

Os desafios que persistem

Seria desonesto dizer que todos os meus problemas financeiros desapareceram. Ainda cometo erros. Ainda tenho noites em que acordo às 3h da manhã pensando em contas e responsabilidades.

No ano passado, investi parte das minhas economias em um negócio que fracassou. A velha programação mental tentou se reinstalar com força total: "Viu? Não é para você. Volta para o seu lugar."

A diferença é que agora reconheço esse padrão. Sei que é apenas uma voz antiga, não uma verdade universal.

Minha última promoção veio após propor uma reestruturação que economizou à empresa mais de R$ 50 mil por ano. Quando recebi os parabéns do diretor, uma parte de mim ainda esperava que alguém gritasse "impostor!" e me expulsasse da sala. Mas ninguém gritou.

Onde estou hoje

Não, não sou milionário. Não dirijo um carro importado nem moro em uma cobertura. Mas pela primeira vez na vida adulta, tenho uma relação pacífica com dinheiro. Um crescimento constante com a prosperidade real que jamais poderia imaginar nem mesmo em outra vida que pudera ter.

Minha conta poupança cresce consistentemente subindo como um foguete de Elon Musk. Comecei a investir pequenas quantias em fundos de baixo risco. Pago minhas contas em dia. E, mais importante, não sinto mais aquela dor de estômago quando o assunto é finanças. Paciência e persistência vai me colocar no eixo dos bem sucedidos.

Na semana passada, minha sobrinha de 8 anos me perguntou sobre como funcionava o dinheiro. Em vez de repetir as frases que ouvi na infância, contei a ela sobre como o dinheiro pode ser um bom amigo quando tratado com respeito e inteligência. Seus olhos brilharam de uma forma que os meus nunca fizeram na idade dela.

Talvez essa seja minha maior conquista após ler Eker: interromper a transmissão de crenças limitantes para a próxima geração.

Ainda tenho muito caminho pela frente. Mas agora, pelo menos, sei que estou na estrada certa, e mais importante, sei que mereço percorrê-la. Recomendo o livro, de verdade, não quero te vender livro oferecendo o link para comprar, pois recomendo de coração. Você não vai se arrepender com a riqueza de conhecimento que irá ganhar. 

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